O número de imigrantes detidos pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) atingiu níveis recordes nos últimos meses, impulsionado principalmente pelo aumento das prisões de pessoas que não possuem antecedentes criminais. Os dados foram analisados pelo jornal americano The New York Times e divulgados nesta quinta-feira (27).
O crescimento ocorre em meio ao endurecimento da política migratória adotada pelo presidente Donald Trump desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro. A quantidade de detenções já supera o recorde registrado durante o primeiro mandato do republicano, quando 55.654 imigrantes foram presos pelo ICE em agosto de 2019.
Segundo a análise dos dados federais, a maior parte dos imigrantes detidos em julho não havia sido acusada ou condenada por crimes. Essas pessoas estavam sujeitas a processos por violações das leis civis de imigração.
O levantamento também aponta uma redução na participação de pessoas com condenações anteriores por crimes violentos. Em julho, esse grupo representava menos de 4% dos imigrantes detidos pelo ICE.
A mudança ocorre enquanto o governo Trump amplia as operações de fiscalização migratória. A política do presidente tem associado frequentemente a imigração irregular ao combate à criminalidade, enquanto os dados mostram que uma parcela crescente das detenções envolve pessoas sem condenações criminais.
Ampliação das operações
A capacidade do ICE de manter imigrantes sob custódia aumentou significativamente desde a criação da agência, em 2003. Naquele período, a estrutura permitia manter cerca de 7 mil pessoas detidas simultaneamente.
Desde o início do novo mandato, Trump estabeleceu como uma das principais metas de seu governo a realização da maior deportação em massa da história dos Estados Unidos. A administração também determinou que os agentes de imigração aumentassem o número de detenções.
Uma das metas estabelecidas pelo governo prevê aproximadamente 300 prisões por dia. Especialistas consideram o objetivo elevado, e os agentes enfrentaram dificuldades para alcançá-lo nos primeiros meses.
Com o passar do tempo, porém, as operações passaram a atingir um grupo mais amplo de imigrantes. Atualmente, qualquer pessoa que esteja ilegalmente no país pode ser detida caso seja localizada pelos agentes do ICE, mesmo que não tenha antecedentes criminais.
As operações também foram ampliadas em cidades consideradas santuários para imigrantes, que adotam políticas destinadas a limitar a cooperação das autoridades locais com agentes federais de imigração. Essas localidades estão entre os principais alvos das críticas de Trump.
Tom Homan, responsável pela política de fronteira do governo, afirmou em diferentes ocasiões que a própria entrada ou permanência ilegal nos Estados Unidos constitui motivo suficiente para a atuação das autoridades migratórias.
Mais de mil detenções em poucos dias
Registros do ICE analisados pelo The New York Times indicam que mais de 1,1 mil pessoas foram detidas desde sexta-feira. O volume representa uma média aproximada de 380 detenções diárias no período.
Apesar do número estar acima da meta de 300 prisões por dia estabelecida pelo governo, o intervalo analisado ainda é considerado curto para determinar se a média diária de detenções foi efetivamente alcançada de forma consistente.
O aumento das prisões de pessoas sem antecedentes criminais representa uma mudança importante no perfil das operações do ICE. A ampliação do grupo de imigrantes procurados ocorre paralelamente ao esforço do governo Trump para aumentar a capacidade de detenção e acelerar o processo de deportação de pessoas em situação migratória irregular.









