Integrantes do entorno político do senador Flávio Bolsonaro voltaram a defender junto ao governo dos Estados Unidos a retomada de sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky, legislação americana utilizada para punir estrangeiros acusados de corrupção ou violações graves de direitos humanos.
As articulações ocorreram durante reuniões realizadas nesta semana em Washington. Segundo o empresário Paulo Figueiredo, que participou dos encontros e confirmou as conversas, o tema foi levado a representantes do governo americano durante agendas envolvendo aliados da família Bolsonaro.
De acordo com Figueiredo, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, também participou das tratativas. Segundo ele, a defesa pela retomada das sanções contra Moraes continua sendo uma pauta permanente do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Fiz esse pedido em todas as reuniões que nós tivemos”, afirmou Paulo Figueiredo em declaração divulgada pela imprensa. Segundo ele, a solicitação partiu dele e de Eduardo Bolsonaro, e não diretamente de Flávio Bolsonaro.
As conversas avançaram no mesmo momento em que o governo dos Estados Unidos anunciou a classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras e também como terroristas globais especialmente designados. A medida foi confirmada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, e passa a valer a partir de 5 de junho.
Segundo autoridades americanas, a decisão tem como justificativa o crescimento da atuação internacional das facções criminosas brasileiras, além de sua influência sobre o tráfico de drogas e redes criminosas que ultrapassam as fronteiras do país.
A classificação foi recebida com críticas pelo governo brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a medida representa uma interferência indevida em assuntos internos do Brasil e demonstrou preocupação com possíveis consequências diplomáticas e econômicas decorrentes da decisão americana.
Nos bastidores, aliados do governo enxergam a articulação realizada por integrantes da família Bolsonaro nos Estados Unidos como parte de uma estratégia para ampliar a pressão internacional sobre integrantes do Judiciário brasileiro e fortalecer pautas ligadas à oposição.
A Lei Magnitsky ganhou destaque no Brasil após ter sido utilizada pelo governo americano contra Alexandre de Moraes em 2025. Na ocasião, o ministro foi alvo de sanções financeiras e restrições relacionadas à entrada nos Estados Unidos. Meses depois, as sanções foram revogadas pelo governo americano, embora parte das restrições migratórias tenha permanecido em vigor.
Especialistas apontam que a Lei Magnitsky permite bloqueio de ativos, restrições financeiras e limitações de relacionamento comercial com empresas e cidadãos americanos. O mecanismo é frequentemente utilizado em casos considerados graves pelo governo dos Estados Unidos.
Até o momento, não há confirmação oficial por parte do governo americano de que uma nova aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes esteja em andamento. As discussões relatadas por Paulo Figueiredo ocorreram no âmbito das reuniões políticas realizadas nesta semana em Washington.
O episódio aumenta a tensão política envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal, o governo brasileiro e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, em um cenário que também inclui disputas eleitorais e debates sobre segurança pública, soberania nacional e relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.










