A coordenadora da campanha presidencial de Renan Santos, Amanda Vettorazzo, convocou candidatos e militantes do partido Missão a intensificarem a atuação nas redes sociais após uma decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral, impor uma série de restrições à campanha do presidenciável.
Em pronunciamento divulgado na noite de segunda-feira, 31 de agosto, Amanda classificou a mobilização como uma “convocação de guerra” e afirmou que os demais candidatos da legenda deveriam ampliar a produção de conteúdo para compensar as limitações impostas aos canais diretamente ligados a Renan.
Segundo a coordenadora, a estratégia é fazer com que integrantes do partido passem a assumir parte da comunicação política que antes estava concentrada nos perfis do candidato.
Amanda afirmou que “todos os candidatos devem se tornar um Renan” nas redes sociais e disse que a campanha pretende realizar novas ações para manter a mobilização da militância.
Durante a transmissão, um integrante do Missão também reproduziu um áudio atribuído a Renan Santos. Na gravação, o candidato pede que apoiadores permaneçam mobilizados e destaca a capacidade de milhares de perfis menores ampliarem a divulgação das mensagens da campanha.
O que determinou Dias Toffoli
A reação do Missão ocorreu após Dias Toffoli determinar medidas cautelares relacionadas ao pedido de registro da candidatura de Renan Santos à Presidência.
A decisão suspendeu a realização de propaganda eleitoral da chapa em meios digitais que não haviam sido informados no prazo previsto à Justiça Eleitoral.
Também foram suspensos os repasses de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e a utilização de verbas públicas já transferidas.
Renan ainda ficou impedido de participar de debates, entrevistas e eventos semelhantes em rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação enquanto as medidas estiverem em vigor.
Apesar das declarações da própria campanha de que a candidatura teria sido “suspensa”, a decisão não retirou Renan Santos da disputa presidencial. O pedido de registro da candidatura continua sob análise do Tribunal Superior Eleitoral.
As restrições também alcançam o candidato a vice-presidente da chapa, Aroldo Medina.
TSE identificou 16 perfis informados fora do prazo
O ponto central da decisão de Toffoli envolve a comunicação dos perfis utilizados pela candidatura nas plataformas digitais.
Segundo o ministro, 16 contas em redes sociais foram informadas à Justiça Eleitoral apenas 12 dias depois da apresentação do pedido de registro.
Um dos perfis citados na decisão possuía cerca de 2,4 milhões de seguidores e, de acordo com Toffoli, já divulgava propaganda eleitoral e recebia recomendações algorítmicas.
O ministro considerou que a ausência das informações dentro do prazo poderia criar vantagem em relação a candidatos que apresentaram corretamente seus canais à Justiça Eleitoral.
Na avaliação de Toffoli, a omissão não representaria apenas uma irregularidade formal, mas poderia comprometer a isonomia da disputa.
A campanha de Renan contesta essa interpretação.
Defesa anuncia recurso
O advogado Arthur Rollo, responsável pela defesa do candidato, afirmou que recorrerá ao TSE contra a decisão.
Segundo a defesa, as restrições são desproporcionais e podem causar prejuízo irreversível à campanha, especialmente pela retirada de Renan de debates e entrevistas durante o período eleitoral.
Renan Santos também criticou publicamente a medida e afirmou que o atraso na comunicação das contas ocorreu devido a problemas técnicos no sistema de registro da Justiça Eleitoral.
O candidato ainda associou a decisão às críticas feitas por ele e integrantes do Missão a Dias Toffoli em episódios relacionados ao Banco Master. Até o momento, não há comprovação de que a medida eleitoral tenha relação com essas críticas.
Decisão provoca divergências no próprio TSE
A medida também passou a ser discutida internamente no Tribunal Superior Eleitoral.
Segundo a Folha de S.Paulo, ao menos três integrantes da Corte avaliam que eventuais irregularidades relacionadas aos perfis digitais deveriam ser analisadas em processos específicos sobre propaganda eleitoral irregular ou abuso dos meios de comunicação, e não diretamente no processo de registro da candidatura.
Os magistrados defendem que o assunto seja submetido ao plenário do TSE.
Outro integrante da Corte, porém, sustentou que Toffoli possui autonomia para adotar medidas cautelares no processo sob sua relatoria.
A discussão deverá chegar ao colegiado quando o tribunal analisar definitivamente o pedido de registro de Renan Santos.
Plataformas começam a retirar contas
As consequências da decisão já começaram a atingir a presença digital do candidato.
Amanda Vettorazzo afirmou durante o pronunciamento que a conta de Renan no TikTok havia sido retirada do ar.
Posteriormente, YouTube e Instagram também restringiram o acesso aos perfis do candidato no Brasil em cumprimento à determinação judicial.
Diante desse cenário, a coordenação do Missão passou a orientar militantes e outros candidatos da legenda a intensificarem a divulgação de conteúdos próprios, transformando a disputa jurídica em uma nova frente da estratégia eleitoral do partido.









