O prefeito de Presidente Kennedy, Dorlei Fontão (PSB), exonerou nesta quarta-feira, 2, os secretários municipais Washington Paixão Dias (Serviços Públicos) e Edson Vander Moreira (Obras). A decisão ocorre após uma série de reportagens do Diário revelar a compra de apartamentos de luxo em Vila Velha, além da frota de veículos dos dois secretários, cujos salários giravam em torno de R$ 9 mil mensais — valor incompatível, segundo os questionamentos levantados, com a aquisição de imóveis avaliados em quase R$ 900 mil.
A movimentação foi vista nos bastidores políticos como uma tentativa de conter os danos de um escândalo que já atinge a gestão municipal. Procurados, os secretários não quiseram se manifestar. Ambos foram alvo de uma série de reportagens sobre a vida de ostentação que levam, mesmo morando em uma cidade com pouco mais de 13 mil habitantes. A suposta sociedade oculta com a LS Engenharia e Construtora, que teve contrato de R$ 40 milhões com a Prefeitura, também pesou na decisão do prefeito.
O cerne da crise é a discrepância entre a renda declarada e o padrão de vida ostentado. Levantamento feito pelo Diário mostra que Washington Paixão Dias adquiriu duas unidades no empreendimento Kalena Residence, em Vila Velha, com valores totais de aquisição que somam R$ 1,6 milhão. As parcelas mensais de um dos contratos chegam a R$ 27 mil, enquanto seu salário na Prefeitura era de R$ 9 mil. A situação de Edson Vander Moreira é semelhante, com a compra de um apartamento no mesmo condomínio de alto padrão.
O que agrava a situação é que Dias assinou os contratos de compra em abril de 2025, período em que ainda não ocupava cargo público e, segundo informações, sua fonte de renda era a venda de marmitas por meio da empresa de sua esposa. A posse como secretário só ocorreu em agosto do ano passado.
A suspeita de sociedade oculta com a LS Engenharia e Construtora Ltda., empresa que venceu um contrato de R$ 40 milhões com a gestão municipal, é o outro pilar do escândalo. O contrato, firmado em setembro de 2025, foi rescindido unilateralmente em março deste ano, após questionamentos do Ministério Público sobre irregularidades na contratação. Ainda assim, a empresa acumulou mais de R$ 28,9 milhões em pagamentos.
O rol de suspeitas é ampliado com a constatação de que Washington Paixão Dias, à frente da Secretaria de Serviços Públicos, assinou um atestado de capacidade técnica para a LS Engenharia que inclui serviços não previstos no contrato original, como operação de estações de tratamento de água (ETA). A suspeita é de que o documento, com serviços estranhos ao objeto pactuado, teria como objetivo habilitar a empresa em uma nova licitação na área de saneamento, que ainda tramita.
O prefeito Dorlei Fontão vinha sendo pressionado politicamente para tomar uma atitude. Entre os políticos da cidade, as opiniões se dividiam entre os que desconheciam o assunto, os que alegavam que “não era assunto meu” e lideranças que cobravam publicamente uma posição do prefeito.
Com a exoneração, a crise política em Presidente Kennedy ganha um novo capítulo, mas as perguntas sobre a origem do dinheiro utilizado para a compra dos imóveis de luxo e a real relação dos secretários com a construtora LS Engenharia permanecem no ar, aguardando respostas dos órgãos competentes.
Outro lado
A reportagem procurou insistentemente a assessoria de Comunicação da Prefeitura e tentou contato com a Procuradoria do Município e com a secretária de Governo, Angela de Paula Barbosa, que, segundo informou, está internada após uma cirurgia.
O prefeito Dorlei Fontão também foi procurado, mas não se manifestou





